EFEITOS DA ATIVIDADE FÍSICA SUPERVISIONADA EM PACIENTES COM MIASTENIA GRAVE: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

EFFECTS OF SUPERVISED PHYSICAL ACTIVITY IN PATIENTS WITH MYASTHENIA GRAVIS: A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601081745


John Rafael da Cruz


Resumo: A miastenia gravis (MG) é uma doença autoimune crônica caracterizada pela fraqueza muscular flutuante e fadiga rápida dos músculos voluntários, resultante de um ataque autoimune aos receptores de acetilcolina na junção neuromuscular.  Justifica-se pelo fato do tratamento convencional inclui o uso de imunossupressores, inibidores da acetilcolinesterase e, em alguns casos, intervenções cirúrgicas, como a timectomia. No entanto, o manejo dos sintomas e a melhoria da capacidade física permanecem desafios clínicos importantes. O questionamento desta pesquisa é quais os efeitos da atividade física supervisionada em pacientes com miastenia gravis? Esta revisão bibliográfica tem como objetivo geral analisar e sintetizar as evidências científicas disponíveis sobre os efeitos da atividade física supervisionada em pacientes com miastenia gravis, os objetivos específicos são avaliar sua segurança, eficácia e impactos na qualidade de vida e destacar casos de relatos de caso publicados nas últimas duas décadas, com foco em parâmetros como intensidade, frequência, tipo de exercício e desfechos clínicos relevantes.

Palavras-chave: Sugere-se de 3 a 5 palavras, separadas entre si, por ponto final.

1 INTRODUÇÃO

A miastenia grave (MG) é uma doença autoimune crônica caracterizada pela fraqueza muscular flutuante e fadiga rápida dos músculos voluntários, resultante de um ataque autoimune aos receptores de acetilcolina na junção neuromuscular. Essa condição afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes, limitando sua capacidade funcional e independência em atividades diárias. 

Justifica-se pelo fato do tratamento convencional inclui o uso de imunossupressores, inibidores da acetilcolinesterase e, em alguns casos, intervenções cirúrgicas, como a timectomia. No entanto, o manejo dos sintomas e a melhoria da capacidade física permanecem desafios clínicos importantes.

Historicamente, pacientes com MG foram desencorajados a praticar exercícios físicos devido ao temor de exacerbar a fadiga muscular e desencadear crises miastênicas. Contudo, evidências recentes sugerem que a atividade física, quando adequadamente supervisionada e individualizada, pode trazer benefícios significativos, como melhora da força muscular, capacidade cardiovascular, funcionalidade e bem-estar psicológico, sem agravar os sintomas.  O questionamento desta pesquisa é quais os efeitos da atividade física supervisionada em pacientes com miastenia gravis?

Esta revisão bibliográfica tem como objetivo geral analisar e sintetizar as evidências científicas disponíveis sobre os efeitos da atividade física em pacientes com miastenia gravis, os objetivos específicos são avaliar sua segurança, eficácia e impactos na qualidade de vida e destacar estudos que falam sobre o tratamento e cuidados sobre a miastenia, frequência, tipo de exercício e desfechos clínicos relevantes.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

Estudos recentes indicam um crescimento na prevalência da miastenia gravis, com maior incidência em mulheres com menos de 40 anos e em homens após os 60 anos. Por ser uma condição pouco comum, observa-se que o conhecimento médico sobre a doença ainda é limitado, tanto em relação ao diagnóstico quanto às abordagens terapêuticas. Essa lacuna pode levar a um manejo inadequado dos pacientes, com possíveis complicações graves, inclusive risco de óbito (PAGOTO LV, et al., 2022).

As pesquisas apontam que a mediana de idade para o início dos sintomas é de 43 anos, com um tempo médio para diagnóstico de aproximadamente 43,4 meses. A forma ocular da doença (MGO) foi identificada em 12,4% dos casos, enquanto a forma generalizada (MGG) representou 87,6%. Crises miastênicas foram registradas em 21,6% dos pacientes. Em termos de distribuição temporal, 63,9% apresentaram a forma precoce da doença e 36,1% a forma tardia (ESTEPHAN EP, et al., 2022).

É importante ressaltar que pacientes com miastenia gravis apresentam restrições a determinados medicamentos, pois algumas substâncias podem prejudicar a contração muscular — seja interferindo na transmissão neuromuscular, seja reduzindo diretamente a força e a velocidade da contração muscular. Essa particularidade reforça a necessidade de atenção rigorosa ao tema, uma vez que a crise miastênica é um evento potencialmente fatal, atingindo até 15% dos pacientes com a forma generalizada da doença (PAGOTO LV, et al., 2022).

O diagnóstico da miastenia gravis autoimune (MGAA) depende da avaliação clínica, do exame físico e de exames complementares que analisam a função neuromuscular. O relato e a apresentação sintomática do paciente são elementos fundamentais para a identificação da doença.(Noda et al, 2009).

A MGAA pode se manifestar de forma súbita ou gradual, com evolução variável. Embora as manifestações clínicas possam diferir conforme a região afetada, a gravidade e o padrão de envolvimento muscular, elas geralmente incluem fraqueza flutuante e fadiga acentuada da musculatura esquelética, sintomas que pioram com atividades repetitivas ou prolongadas, exposição ao calor, infecções, procedimentos cirúrgicos ou estresse emocional, e que melhoram com repouso. É comum que os sintomas apresentem variação ao longo do dia, tendendo a intensificar-se no final da tarde. .(Noda et al, 2009).

Entre as manifestações possíveis estão visão dupla, queda das pálpebras, redução da expressão facial, dificuldade para manter a mandíbula elevada, voz anasalada e com fraqueza, alterações na fala e na deglutição, perda de peso não intencional, quadros depressivos, distúrbios do sono e comprometimento respiratório. Como a doença afeta especificamente a junção neuromuscular, não há envolvimento de funções cognitivas, sensoriais ou autonômicas. .(Noda et al, 2009).

A abordagem da crise miastênica requer intervenção imediata e vigorosa, incluindo internação precoce em unidade de terapia intensiva (UTI) para monitoramento contínuo dos sinais vitais, manejo de infecções associadas, suporte ventilatório quando necessário e introdução de terapia imunossupressora de ação rápida. Entre as opções disponíveis para a fase aguda, destacam-se a plasmaférese e a administração de imunoglobulinas intravenosas, ambas reconhecidas na literatura como igualmente eficazes. A seleção entre uma e outra geralmente considera o perfil individual do paciente, a logística e a experiência clínica da instituição.(Anjo, Martins e Paoliello, 2024).

Visando à estabilização prolongada e à prevenção de recidivas, é comum associar à terapia de crise o uso de glicocorticoides e de rituximabe, frequentemente em doses superiores às habituais em situações fora da crise. Em casos refratários, indica-se a administração de glicocorticoides em altas dosagens, mantendo-se o suporte intensivo pelo tempo necessário para estabilização clínica. .(Anjo, Martins e Paoliello, 2024).

3 METODOLOGIA 

A necessidade desta revisão justifica-se pela crescente discussão sobre o papel da reabilitação física no manejo da MG e pela escassez de diretrizes específicas sobre exercícios para essa população. Espera-se que os resultados contribuam para embasar recomendações clínicas e estimular novas pesquisas na área, promovendo uma abordagem mais integral e multidisciplinar no cuidado aos pacientes com miastenia gravis.

A metodologia, trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com buscas realizadas nas bases SciELO, PubMed e Google Scholar, com os descritores “miastenia gravis”, “atividade física”, “exercício supervisionado” e “Educação Física”, entre os anos de 2009 e 2024. Foram selecionados 12 estudos que atendiam aos critérios de relevância, atualidade e relação direta com o tema proposto.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

A atividade física supervisionada e adaptada às condições individuais mostrou-se segura, promovendo melhora na força muscular, equilíbrio e qualidade de vida. O acompanhamento por profissionais qualificados é essencial para garantir a segurança e eficácia das intervenções.

A literatura aponta que a atividade física supervisionada, com intensidade leve a moderada, pode melhorar a força muscular, a capacidade funcional, o equilíbrio e a qualidade de vida de pacientes com MG. Práticas como caminhadas, hidroginástica, exercícios resistidos leves e alongamentos são seguras quando individualizadas e monitoradas. Os estudos também destacam que a orientação de profissionais especializados, como o educador físico, é essencial.

O profissional de Educação Física possui papel central na prescrição e condução de programas de exercício para pacientes com MG, devendo ter conhecimento sobre a doença, capacidade de adaptar as atividades às condições do paciente e atuar em equipe multidisciplinar. A atuação cuidadosa pode resultar em ganhos significativos para a funcionalidade e bem-estar dos pacientes.

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão bibliográfica permitiu analisar e sintetizar as evidências disponíveis sobre os efeitos da atividade física supervisionada em pacientes com miastenia gravis (MG). Constatou-se que, apesar do receio histórico em relação à prática de exercícios nessa população, a atividade física supervisionada, individualizada e de intensidade leve a moderada demonstra ser uma intervenção segura e potencialmente benéfica. 

Os estudos revisados apontam melhorias significativas em aspectos como força muscular, capacidade funcional, equilíbrio e qualidade de vida, sem relatos consistentes de exacerbação dos sintomas ou desencadeamento de crises miastênicas quando bem orientada. A prática de exercícios físicos supervisionados é uma estratégia complementar viável no tratamento da miastenia gravis, contribuindo para a funcionalidade, autonomia e bem-estar dos pacientes. 

A miastenia gravis pode ser gerenciada com abordagens integradas que incluam a atividade física supervisionada como parte do tratamento. O profissional de Educação Física deve estar preparado para atuar com responsabilidade neste contexto, contribuindo para a saúde e qualidade de vida dos pacientes.

REFERÊNCIAS

ANJO, O. F. L.; MARTINS, L. V.; PAOLIELLO, A. B. Tratamento geral da miastenia gravis. Cuidado em Enfermagem, [S. l.], v. 18, n. 2, p. 306-311, jul.-dez. 2024.

ESTEPHAN EP, et al. Miastenia gravis na prática clínica. Arquivos de Neuro – Psiquiatria, 2022; 80(5): 257- 26

LUZ, A. R. et al. Miastenia Gravis: uma análise crítica dos métodos diagnósticos e condutas terapêuticas. Revista Eletrônica Acervo Saúde, [S. l.], v. 15, n. 9, p. e11066, 2022. em: https://doi.org/10.25248/reas.e11066.2022. Acesso em: 5 jan. 2026.

NODA, J. L.; SONODA, L. T.; SANGEAN, M.; FÁVERO, F. M.; FONTES, S. V.; OLIVEIRA, A. S. B. O efeito do treinamento muscular respiratório na miastenia grave: revisão da literatura. Fisioterapia em Movimento, [S. l.], v. 26, n. 2, p. 437-445, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/fm/a/ZLmJQ7R5cR8Vwj5Tt4MkG6H/?lang=pt. Acesso em: 5 jan. 2026.

PAGOTO LV, et al. Tendências na incidência de melanoma no Hospital Italiano de Buenos Aires. Anais Brasileiros de  Dermatologia, 2022; 97(1): 115 – 117